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Curiosidades das Listas de casamento
por José de Souza Martins

As listas de presentes de casamento têm precedentes antigos entre nós. Constituem sobrevivência de costumes arcaicos relativos ao significado do matrimônio e ao reconhecimento do direito de intromissão da sociedade na constituição de uma nova família. Essa regulação social do casamento se difundiu por aqui através da tradição do dote. Por largo tempo, as moças casadoiras precisaram de dote para ter marido.


     
 

O costume era antigo e vinha do fato de que os pais de moças precisavam de genros que lhes gerassem netos. Genro quer dizer, justamente, o que gera filhos para outro, nas filhas daquele que, travado pelo tabu do incesto, dele depende para continuar a descendência.

Coisas do arquétipo da sociedade patriarcal. O dote da donzela era tributo ao procriador vicário, que fazia um favor ao sogro casando com sua filha e dando-lhe netos. O genro bem dotado era o donzelo capaz dessa proeza. Era o seu dote.

Com o casamento assumindo tardiamente o caráter de consórcio econômico, também o noivo acabou tendo de entrar com seu dote material. Era um recurso preventivo contra casamentos desiguais, não fosse um homem pobre casar com mulher rica, usando o falo como seu único cabedal para assenhorear-se do baú da noiva, o chamado golpe do baú. O amor era puramente residual.

O casamento era uma instituição dos brancos e só eles, portanto, precisavam de dote. As moças bem nascidas tinham o dote assegurado. Mas as casadoiras brancas e pobres tinham de sair pedindo esmola para constituir o seu. O monge gastador do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, no século 18, várias vezes anotou, no chamado Livro da Mordomia, que dera determinada quantia "de esmola para o dote de uma moça pobre".

A prática sobrevive, nos dias de hoje, nas listas de presentes de casamento. Seu simbolismo ritual é evidente nas listas dos nubentes que já não precisam dessa ajuda.

Da cultura do dote sobrou e ainda existe por aí o costume do preparo do enxoval das primícias da noiva, laboriosamente bordado pela jovem desde a chegada à puberdade. Era guardado em arca que protegesse as alfaias nupciais do mau olhado que poderia arruinar um matrimônio, esterilizando o casal.

Noivo escolhido, monogramas eram bordados nas peças, enlaçando a letra inicial do nome da noiva com a do noivo, para amarrar simbolicamente, na rouparia da intimidade e da troca dos fluidos da fecundação, a união do sangue de duas famílias. Era também um enlace mágico, do tipo das amarrações de amor que hoje em dia são propagandeadas em postes e paredes.

Os panos do casamento representavam, ainda, o senhorio da mulher sobre o interior da casa em oposição ao senhorio do homem, que era o exterior da casa, o lugar da reprodução biológica contraposto ao lugar da reprodução econômica, um remonte à tradição agrária.

 

Observação: A lista de presentes se inicia na Idade Média. A noiva recebia doações como animais domésticos, roupas, pedras preciosas, moedas, um cofre, um leito com cobertas e ferramentas.


Fonte: Artigo do Estado de São Paulo.


          

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